Sem preconceitos, mais ou menos
Já aqui falei da importância de perdermos os preconceitos em 2018 (e, já agora, em 2019 e em todos os anos seguintes também). Mas quando digo isto a alguém, dizem-me sempre que não têm preconceitos. Está tudo bem, asseguram-me. Cada um pode ser, parecer e fazer aquilo que quiser, ao contrário do que acontecia antigamente, “no tempo do Salazar”. Em primeiro lugar, o que vos apraz dizer sobre estes standards tão baixos? Afinal de contas, se tudo está bem, porque é que o nosso ponto de comparação tem que ser um regime ditatorial e autoritário? Em segundo lugar, teremos avançando assim tanto? Será que temos a cabeça bem resolvida e que cada português pode, realmente, ser aquilo que quiser? Temo que a resposta seja não. Num mundo em que é okay ser gay mas só “cada um em sua casa”, em que não há problema com as tatuagens “desde que não vejam” e em que alguém tem que tirar os piercings para trabalhar não é um país verdadeiramente livre em que cada pessoa faz o que ...